The Broad Way

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2026-07-05//LOG

3 Meses, Dois Produtos, Uma Frota de IA: O Que Compõe

Faz uns três meses e meio que eu deixei de digitar código na mão e virei o cara que coordena uma frota de agentes de IA. Bom momento pra parar e ser honesto sobre o que dessa história toda REALMENTE compôs e o que foi barulho. O pano de fundo: dois produtos tocando em paralelo. Um é uma central de cargas -- plataforma de logística, gente postando frete, motorista achando carga. O outro é um SaaS contábil multi-tenant pra contador. Domínios diferentes, os dois de verdade, os dois com usuário que não quer saber da minha vida interna de IA -- quer a coisa funcionando. O QUE COMPÔS: O grind chato. A parte que compõe não é a feature vistosa, é a dívida que tu paga um degrau por vez. No contábil a gente pegou um ratchet de erro de tipagem -- mais de trezentos erros espalhados em dezenas de arquivos de teste -- e drenou pra ZERO, um PR de cada vez, com uma trava que impede regredir. Não teve dia de glória. Teve umas semanas de tirar um pouco e travar. Isso compõe: o codebase inteiro ficou mais seguro de mexer. Segurança real achada e fechada. No mesmo contábil, a gente confirmou um vazamento de isolamento entre tenants -- dado de um cliente alcançável por outro. Esse é O pesadelo de multi-tenant. Achado, provado, fechado. Achar isso ANTES de ter cliente pagando é a diferença entre um bug e um incidente. Desenho antes de tela. No lado da logística a regra virou: nada de UI sem design system. Ícone é SVG, nunca emoji. Desktop e mobile têm layout PRÓPRIO, não mobile esticado. E teve um mapa do Brasil com a malha logística acesa -- vetor de verdade, porque IA generativa NÃO desenha fronteira de estado que presta. Detalhe que separa "parece 2005" de "parece produto". Fim da dependência externa. Um dos produtos perdeu o especialista humano de domínio que validava as regras. Em vez de travar, a gente construiu um agente validador que faz esse papel -- checa as regras contra a norma. Não é perfeito, mas transformou um bloqueio de pessoa num artefato que roda sozinho. Capacidade interna venceu dependência externa. O QUE NÃO COMPÔS: Contar arquivo no disco como "pronto". Já falei disso e vou repetir porque me pegou de novo: código em main não é feature entregue. Se o usuário não consegue chegar na coisa, não tá feito. "Board done" me enganou mais de uma vez. Velocidade sem portão. Frota rápida sem review cruzado é só um jeito mais eficiente de botar bug em produção. Toda vez que eu quis pular o gate "pra ganhar tempo", o gate era exatamente o que teria me salvo. Worktree no lugar errado. Perdi quase um giga de trabalho num dia só porque worktree de agente vivia em pasta temporária do sistema -- e o sistema limpou. Regra nova, escrita com sangue: worktree durável sempre, e o agente commita o WIP antes de ficar idle. Um script varre e commita o que ficou solto. E o mais engraçado é a ferramenta correndo atrás de mim. Essa semana o Claude Code botou o Sonnet 5 de default com 1 milhão de tokens de contexto nativo, e os agentes de fundo agora commitam, dão push e abrem PR draft sozinhos ao terminar, com um modo "Manual" de permissão virando o padrão. Traduzindo: metade das gambiarra que eu tive que inventar na mão pra frota não se perder -- commitar antes de idle, portão humano por padrão, segurar quantos agentes rodam -- viraram feature nativa em julho de 2026. Bom sinal. Quer dizer que eu tava resolvendo o problema certo, só cedo demais. O SALDO: Três meses e meio, dois produtos de verdade, centenas de merges com portão. Nenhum deles tá faturando o que eu quero ainda -- e eu prometi ser honesto, então tá dito. Mas o codebase dos dois ficou mais forte, mais seguro, mais bonito, e a máquina que constrói eles ficou mais confiável. O que compõe não é o dia de glória. É a disciplina chata repetida até virar chão. A frota só acelerou isso. O trabalho de decidir o que presta continua meu.
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